Nos dias 19 e 20 de março, seis turmas do 3.º ciclo da Escola EB 2,3 de Gondifelos
participaram em três sessões do projeto “Palavra Contada com Música Improvisada”,
integrado na iniciativa Programar em Rede, promovida pelo Conselho Municipal da Cultura.
A experiência começou ainda antes de entrar na sala. Alunos e professores caminharam
juntos até à Casa de Pedra, espaço da Fértil Cultural. Cada passo parecia marcar um
pequeno ritmo, como se a caminhada já fosse parte do espetáculo. Havia curiosidade. Havia
expectativa. Havia aquela ansiedade boa que sentimos quando sabemos que algo diferente
está prestes a acontecer.
Dentro da sala, o ambiente era escuro e acolhedor. O público estava sentado muito perto
dos intérpretes. Essa proximidade criava uma sensação rara de intimidade. Ali, tudo se ouvia
melhor. Os sons. As vozes. Até os silêncios.
Os alunos escutaram textos de autores marcantes da literatura. Entre eles, “O País dos
Sonhos”, de Eduardo Galeano, “Felicidade Clandestina” e “A Quinta História”, de Clarice
Lispector. Mas havia algo mais. As palavras não vinham sozinhas. Cresciam acompanhadas
por música jazz improvisada, criada no momento. Cada frase encontrava um som. Cada
silêncio ganhava respiração. Por vezes fechavam-se os olhos. Os corpos reagiam ao ritmo.
As palavras ecoavam dentro da sala. Era como entrar num “audiobook” vivo, construído ali
mesmo, diante de todos. Uma experiência imersiva. Ao vivo e a cores.
No final, houve tempo para conversar. Perguntas, comentários, curiosidades. Alguns alunos,
mais ousados, tiveram ainda a oportunidade de experimentar alguns instrumentos. Sempre
com o olhar atento — e um pouco apreensivo — dos músicos responsáveis.
Momentos assim ficam na memória. Costuma dizer-se que sorte é quando algo bom
acontece. Mas também se diz que a sorte faz-se. Talvez seja essa a verdadeira lição destas
sessões.
Percebemos que há muito mais escola fora da Escola.






