Agrupamento de Escolas de Gondifelos

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Este ano a atividade principal do 1ºciclo de Gondifelos realizada no Dia Mundial da Alimentação, 16 de outubro, permitiu aos alunos  viver e conhecer tradições desta freguesia.

Para os adultos envolvidos, professoras e assistentes operacionais, foi um dia para reviver costumes familiares e da população em geral, quando o pão era para muitos a base da sobrevivência, explicando aos mais novos a origem do ditado popular “casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”.
O pão era confecionado semanalmente e guardado em armários de madeira para uso diário. A fornada do pão era cuidadosamente preparada pelas incansáveis mães ou senhoras que governavam as casas: os cereais eram selecionados e iam em sacos de linho, nos carros de bois, ao moinho de água transformar-se na macia farinha; recolhia-se a melhor lenha para aquecer o forno; de véspera o fermento caseiro era ampliado com o isco da fornada anterior; de madrugada a lareira acesa aquecia a água nos potes pretos de ferro para dissolver o sal, escaldar as farinhas e misturar o fermento nas masseiras de madeira, sempre presentes num espaço nobre da cozinha e, de roupa lavada e braços desnudos pelas mangas arregaçadas, as mães ou governantas empenhavam-se em transformar as farinhas em pão. Com os movimentos repetidos de punhos fechados a entrar e sair na farinha humedecida e temperada com o sal e fermento, a remover as farinhas e restantes ingredientes de um para o outro lado da masseira, as mãos destas senhoras, calejadas e gretadas pela dureza das ferramentas artesanais nos trabalhos domésticos e do campo, pareciam amaciar. A obra realizada, em prol da alimentação diária, quereria agradecer ao Criador e às obreiras?... Horas depois metia-se a massa no forno de lenha, já quente, em grandes ou pequenas porções moldadas habilmente pelos movimentos circulares das mãos, na gamela de madeira. Fechava-se o forno e… o pão quente pouco depois já se punha na mesa na primeira refeição do dia.
a marmelada, preparada com os frutos dos marmeleiros que existiam em todos os quintais, por vezes nos lugares mais ermos, era feita nesta época de outono e guardada nas tigelas de barro, cobertas com papel vegetal, para depois irem à mesa quando havia visitas ou ocasiões especiais e até se dizia “marmelada no pão, satisfaz o lambão”.
Outros tempos… e outras vidas: corajosas, empreendedoras e lutadoras.
De maneira mais simplificada e recorrendo a materiais simples e ao forno eléctrico da cozinha da escola, os alunos “meteram a mão na massa” e viveram este acontecimento com entusiasmo. No primeiro intervalo da manhã, apreciaram o pão quente recheado com a marmelada ainda a fumegar. E a manhã findou com alegria de ver e ajudar na confeção de alimentos tradicionais e o delicioso cheiro do pão quente e da marmelada que percorreu os corredores da escola e invadiu os espaços próximos. A tarde foi explorada a roda dos alimentos e a necessidade de alimentação saudável, para vivermos com qualidade de vida.
Lá diz o ditado: “Saber comer é saber viver”.

Mª Lúcia Meira
turma 2G

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